Não se consegue escrever algo sobre si mesmo que seja mais verdadeiro do que aquilo que se é. Essa é a diferença entre escrever sobre si mesmo e escrever sobre objetos externos. Escreve-se sobre si mesmo da sua própria altura, não apoiado em muletas ou andaimes, mas com os pés descalços.
Agora me diga: pode um homem que odeia a si próprio amar
alguém? Pode ele estar em harmonia com alguém e está interna-
mente cindido, ou dar prazer a alguém se é apenas um peso detestá-
vel para si mesmo? Ninguém, suponho, dirá que pode, a não ser
que seja mais louco ainda que a Loucura. Pois bem, remova-me [ a
loucura ], e ninguém mais conseguirá suportar seu semelhante;
cada um passará a feder em suas próprias narinas e a considerar
tudo a seu próprio respeito fétido e repulsivo. [...] O que existe de
mais tolo que a auto-satisfação e a auto-admiração? Mas como agir
com graça, brilho e encanto se não se está satisfeito consigo mes-
mo? Retire esse sal da vida, e imediatamente o orador se tornará
maçante, o músico produzirá tédio com sua melodia, o desempe-
nho do autor será vaiado, o poeta e as musas serão objeto de riso, o
pintor e suas obras perderão valor, e o médico passará fome com
seus remédios.
Ludwig Wittgenstein (1937) filósofo austríaco radicado na Inglaterra.
Erasmo de Rotterdam (1511) filósofo e humanista holandês.
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Existem somente dois tipos de homem: os íntegros que se consideram pecadores e os pecadores que se consideram íntegros.
Pascal (1662): Pensées, citado em Jon Elster, Alchemies of the mind. Cambridge, 1999, p. 94.